Read A sombra no sol by Eric Novello Online

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Acostumado a caminhar no limiar entre a realidade e a ficção, Armando é enviado para São Paulo com uma missão inusitada - trazer um garoto de programa de volta à vida e então lhe oferecer emprego. Recebido pelo trânsito e pelo clima cinzento da cidade, nem mesmo os anos como gerente do Neon Azul o prepararam para essa possível conversa. Adiando o momento de encarar o cadávAcostumado a caminhar no limiar entre a realidade e a ficção, Armando é enviado para São Paulo com uma missão inusitada - trazer um garoto de programa de volta à vida e então lhe oferecer emprego. Recebido pelo trânsito e pelo clima cinzento da cidade, nem mesmo os anos como gerente do Neon Azul o prepararam para essa possível conversa. Adiando o momento de encarar o cadáver, Armando remexe em uma mala com os pertences do morto e encontra um diário relatando a trajetória de Ícaro dos guetos à fama nas festas de alta sociedade e, posteriormente, seu encontro com a morte. Conforme vira as páginas do que julgava ser apenas uma agenda de telefones, a curiosidade se transforma na obsessão de saber o que há de tão especial naquele jovem para que ele mereça uma segunda chance. 'A Sombra no Sol' reúne textos publicados online entre 2008 e 2012, com intervalos irregulares. São histórias que discutem o que há por trás do desejo humano em seus acertos e desvios....

Title : A sombra no sol
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ISBN : 9788562942549
Format Type : Paperback
Number of Pages : 112 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

A sombra no sol Reviews

  • Bruno Alves
    2019-04-13 23:44

    (Acessível em http://adlectorem.wordpress.com/2014/...)Após a incursão no mundo noir das noitadas do Neon Azul, onde o fantasioso e o real se mesclam de maneira discreta mas perceptível, Eric Novello agora nos oferece uma experiência relacionada mas distinta, em seu próximo (e, até agosto de 2014, último) trabalho, A sombra no sol. Nos trinta textos que se entrelaçam em uma narrativa, vemos ser construído um retrato de um homem desiludido, quiçá quebrado, ali apaixonado, com uma voz bem marcada que transforma cada visão do cenário urbano noturno. Sua dor se mistura à ironia, à sensualidade e à natureza dos relacionamentos de uma pessoa solitária com o desenrolar de cada parágrafo, em uma escrita algo lírica que não se torna enfadonha em momento algum.A princípio, estamos mais uma vez acompanhando o gerente do Neon Azul, Armando, em uma tarefa repassada em caráter especial pelo Homem, dono do inferninho. Seu objetivo: resgatar o cadáver de Ícaro, um garoto de programa, e oferecer-lhe um trabalho singular no estabelecimento. Equipado com um líquido especial e força de vontade, o insone se aventura por uma construção anônima e encontra, junto ao cadáver do garoto, um caderninho escrito pelo morto. Deve conhecer a Ícaro se quiser trazê-lo de volta à vida, e há jeito melhor que a leitura de suas confissões e reflexões, confere? O “diário” é composto de vinte e nove dos trechos escritos por Ícaro, narrados em uma primeira pessoa com uma presença perceptível. Enquanto as cenas que conectam e contextualizam os excertos do caderno, as partes de Armando, são narradas com a voz de terceira pessoa também presente, em estilo e atmosfera, em Neon Azul, é na figura do garoto de programa que percebemos a multiplicidade – ou talvez melhor, duplicidade – das vozes que permeiam A sombra no sol. Porque se a narrativa impessoal, ainda que talvez mais íntima do que estamos acostumados, é em partes seca, mais distante, Ícaro narra sua vida e obras em uma melancolia lírica, uma voz diferente em gênero e grau mas que também se contextualiza no próprio livro. Cobertura simbólica, uma imagem que se transforma em significado.O diário, ou caderno de anotações, funciona como um catálogo de suas experiências, de seus clientes. E em uma história de cunho principalmente sexual, é perceptível como a narrativa evita cair em um lugar comum de “vulgaridade”. As cenas de sexo, cotidiano de Ícaro, tornam-se exatamente isso: cotidiano; a rotina que acontece, seu estilo de vida. Suas tentativas vez ou outra de desviar o rumo de uma relação, provações pelas quais deve passar em seu ofício. Mesmo com a banalização da relação sexual que inevitavelmente se alcança ao transformar o êxtase em ganha-pão, essas cenas são narradas com a sensibilidade de quem ainda mantém alguma reverência à fluidez dos corpos.Dispenso desde já as piadas sobre o xará que foi ao sol, vivemos em polos opostos. Eu mesmo derreti minhas asas de cera com a chama do isqueiro que o último amante esqueceu na mesa do telefone. Esse papo sempre me enojou. Se pudesse alçar voo o faria do terraço, de cima da tampa da caixa de água, da ponta mas aguda do para raios em noite de tempestade, da cadeira onde conto meu dinheiro antes de deitar e dormir.Da beira da janela só não voa quem não quer. (01. Muito prazer)A surpresa pela descoberta de uma experiência tão diferente de Neon Azul é rapidamente substituída pela apreciação da uma narrativa mais realista. Aqui, a fantasia não ultrapassa a proposta: A sombra no sol é feito de histórias pautadas em uma realidade; a magia discreta do Neon Azul se substitui pela intimidade, sexo, e cenário urbano. Porque, a despeito da diferença entre as formas, o conteúdo se concatena em sua temática: mais uma vez estamos em um mundo imerso pelo luar, o sombreado da luz artificial dos postes cobertos pelos prédios do cenário metropolitano. A vida noturna das cidades, esta variação entre a casa, o bar, a rua, o apartamento. A sombra no sol se mantém em suas raízes da urbanicidade, repleto dos típicos e atípicos notívagos do centro urbano. E, com a noite da cidade, a vida desregrada à espreita, com suas promessas de prazeres infinitos. Se em Neon Azul este era simbolizado pelo próprio inferninho (com seu apelido já bem indicativo), aqui temos o próprio Ícaro, que é mais uma das atrações, um dos petiscos potenciais para o endinheirado habitante noturno. E, como aquele diabo em miniatura no canto esquerdo do ombro, com um olhar e um sorriso procura seus clientes, oferecendo tentação.A noite se aconchega para que a cidade acenda janelas e risque as ruas em jogos de luzes e sons infernais. O caos humano se move num imenso reflexo de possibilidades. O destino de uns é a partida de outros. Não há lado que seja o contrário. o que há é muita gente lá embaixo, muitas roupas, disfarces, fantasias, olhares sob máscaras. Um deles deverá servir para mim. (29. O pulo do gato) Mas apesar das imagens, Ícaro, em seu caderno, não se esconde através de uma fachada contente: esta é reservada a seus clientes. É naquelas páginas em que pode depositar a sua melancolia, narrar seu ponto de vista, sentimento visceral transformado em prosa poética. Em páginas suas, prova ser si mesmo, experiência transformada em literatura. Mas não deixa de carregar a sua voz, talvez o elemento que pese pra o não tão disposto: Ícaro exige abstração, rogue para que lhe acompanhe em suas figuras de linguagem, em seu discurso menos imagético que simbólico. Para puxar conversa, ela conta do outro mundo. Diz que as drogas são mais fortes e que vou amar viajar entre espíritos errantes. Amar, ela se dá conta, palavra errada. E para se justificar fala que há muitas formas de se amar, e que as mais letais são as únicas sinceras, pois já sabemos o que esperar delas no fim. (27. Necrópole particular) Ele pode ser amado, naquela situação meio estranha, um pouco difícil, com clientes fixos. Assim, proteger as pessoas da claridade, ser uma espécie de seu pervertido eixo na realidade, sua sombra no sol. Mas quando elas somem, o ofício deve ser mantido. Em uma espécie de rotina eterna: só o que pode quebrá-la, e quebrá-lo, é quando parece de fato encontrar o amor. E então poderemos ver como ele foi se transformar naquele cadáver encontrado por Armando…Uma experiência diferente, mas tão envolvente quanto o seu antecessor. A internet me indica que foi escrito por seu autor em um período de profunda melancolia, e postado originalmente em formato virtual. Mais tarde seria concatenada a história pela tarefa de Armando, escrito o texto final, transformado em livro. E, de fato, o romance nos oferece a atmosfera pesada, o sentir de uma angústia por um significado maior de uma vida, de seus feito: de um legado inexistente. Ao final, parece-me uma história do vazio de uma falta de amor recíproco, um conto sobre a beleza mas finalmente a futilidade da união de corpos sem coração.

  • Marcio Ribeiro
    2019-03-25 21:02

    Há livros que, para mim, são difíceis de classificar, especialmente quando trazem mais de um estilo de escrita. A "Sombra no sol" é narrado tanto pela escrita de Ícaro em seu "diário", como pelo narrador quanto à Armando. A escrita em seu todo fica entre o bom e o ótimo, entre as 3 estrelas, caminhando para a quarta. Se bem que a questão das estrelas é algo tão subjetivo, nem sempre descreve nossa impressão/intenção. De todo o modo, é uma ótima forma de se iniciar na obra de Eric Novello.

  • Arthur
    2019-04-22 00:47

    Mais uma rapidinha com um livro que acabou de chegar.Eu vou fingir que não decidi que nota dar ao livro. O método comparativo de avaliação (e a leitura das expressões nas estrelinhas) já decidiu isso por mim; dane-se a pose que preciso manter como, ai, leitor acadêmico. (Aliás, pobre de quem esperar isso dos meus reviews pro Goodreads: aqui é "o leitor comum" falando na lata.)Tive um probleminha inicial com a linguagem: a vibe meio prosa poética do Ícaro me irritou no começo. Acho que por associar muito isso aos meus gostos adolescentes, do que gostava de ler e de como achava que seria bonito escrever (aquela dica certeira do "o que você detesta diz muito sobre você mesmo", mesmo que seja o seu eu passado), além de me lembrarem o que vejo exaustivamente na escrita de muitos coleguinhas de oficinas de criação literária de que participei. Mas elas são interessantes porque: criam um bom contraste com as passagens do Armando -- estas descrições bem realistas, quase um roteiro (aliás, uma nota: comecei a ler o livro numa amostra da Amazon e não havia distinção alguma entre as passagens do Armando e as do Ícaro; só no impresso é que vi que o Armando tava em itálico -- e achei BEM melhor e menos confuso assim); me parecem uma boa escolha para uma narrativa que flerta com o onírico e o mitológico (mesmo que sejamos pés-no-chão e demos explicações racionais pro que é narrado); e aquilo é meio que um diário do cara, e diários são para nós mesmos, para nossos desabafos, temos toda a liberdade de sermos breguinhas quando somos palco e telespectadores simultaneamente (em suma, achei honesto). Eu sou mais da coisa seca, direta, ainda que esteja começando a enjoar disso também (RISOS). Não sei se o tom poético vai diminuindo ou se logo nos acostumamos com a escrita do Ícaro, mas o meu probleminha inicial num instante passou.(Ah, lembrei: o estilão de escrita do Ícaro também permite que ele em vez de simplesmente descrever as coisas, ele faça o seu papel de narrador opinador que mete o bedelho em tudo. Tem crítica social da boa ali no meio.)A parte de Ícaro (já falei que ele é um garoto de programa bissexual?) é sexy AS HELL (e aqui lembro daLaura Miller quando escreveu sobre a idiotice do Bad Sex Award e de como é mais difícil admitir o que cê achou excitante E TALS -- e com isso deixar que os outros leiam o mesmo que você e tenham a oportunidade de concordar ou rir da sua cara) e a parte do Armando me lembrou de Buffy, a caça-vampiros (mais especificamente do "Previously on Buffy" do episódio musical, o único que vi -- e revi, revi, revi E REVI MUITAS VEZES --desse seriado). Deu vontade de conhecer o Neon Azul, romance DESCARADAMENTE citado durante boa parte da novela.Enfim, li rapidinho e gostei pacas.[Eu queria MUITO pagar de cool e dizer que peguei um livro aleatório na livraria, mas: 1. o autor que me mandou, por sua conta e risco; e 2. eu não comecei a seguir o autor no Twitter porque o vi naquela página engraçada do facebook (aliás, acho que nem o citaram lá), mas porque a Elvira Vigna falou que ela escrevia bem pra caralho. Eu adoraria pagar de cool, mas só fui atrás depois de recomendação.]

  • André Caniato
    2019-03-28 02:09

    Ah, nice! Foi uma leitura bem mais agradável do que minha última experiência com o autor, Neon Azul, que não foi ruim em si, mas foi bastante estranha e me deixou meio... incômodo. A sombra no sol é, ao contrário do que eu esperava, uma história mais linear, mais fácil de digerir. Peguei o livro esperanto uma coletânea de contos, por algum motivo, mas está bem mais próximo de um romance, com um protagonista e temas que me agradaram muito — em certo ponto, inclusive, cheguei a rir, pois o Ícaro é muito, muito parecido com o protagonista de uma das minhas histórias, algo que vou ter que ajeitar, provavelmente.Este é o livro que eu esperava do Eric Novello, tão elogiado por todos, e é o que me deixou (mais uma vez) empolgado para ler o famoso Exorcismos, amores e uma dose de blues.